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Escrito por Instituto Mix Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos.

No mês que celebramos uma das datas mais importantes do nosso país, a Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889, costumamos mostrar orgulhosos a nossa Bandeira Nacional, assim como no dia da Independência. A bandeira é um dos símbolos mais marcantes de um país. Mas garanto que existem algumas curiosidades que passam despercebidas dos seus olhos!

E, ao contrário do atual cenário político do país, vale destacar que a Bandeira Nacional “não pertence” a uma ideologia política. E todos, independente da visão político partidária, possuem a mesma Bandeira Nacional, sejam de direita, centro ou esquerda. A bandeira representa o país!

Quantas vezes comemoramos títulos esportivos balançando as nossas bandeiras? Ou quando fizemos aquela viagem internacional e fazemos questão de mostrar de onde somos, mostrando nossos símbolos nacionais?

Dos 4 símbolos nacionais (a bandeira, o brasão, o hino e o selo), a bandeira é, sem dúvida alguma, o mais famoso, o mais popular. Representação máxima da pátria, é definida pelos versos do poeta Castro Alves como “o auriverde pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança”.

De tão habituados que estamos com a bandeira, podemos pensar que ela está aí desde sempre. Mas saiba que a bandeira tem uma origem, tem uma história, além de muitas curiosidades.

Tivemos muitas bandeiras ao longo da história


Nem todo mundo sabe que o Brasil já teve outras bandeiras além da atual. Transformações políticas, como aquelas motivadas por revoluções, costumam alterar os símbolos nacionais.


Por exemplo: quando o Brasil se tornou independente de Portugal, em 1822, substituiu-se a bandeira do Regime Constitucional (a última bandeira portuguesa adotada aqui no Brasil) pela nova bandeira do Império nascente. Da mesma forma, com a Proclamação da República, em 1889, adotou-se a bandeira que usamos até hoje.

Conheça a lista de todas as bandeiras que já foram usadas no Brasil:

 

  1. Ordem de Cristo (1319-1651);
  2. Bandeira Real (1500-1521);
  3. Bandeira de D. João III (1521-1616);
  4. Bandeira do Domínio Espanhol (1616-1640);
  5. Bandeira da Restauração (1640-1656);
  6. Bandeira do Principado do Brasil (1645-1816);
  7. Bandeira de D. Pedro II (1683-1706);
  8. Bandeira Real do Século XVII (1600-1700);
  9. Bandeira do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve (1816-1821);
  10. Bandeira do Regime Constitucional (1821-1822);
  11. Bandeira Imperial do Brasil (1822 a 1889);
  12. Bandeira Provisória da República (15 a 19 de novembro de 1889);
  13. Bandeira Nacional (1889 – Atual).

Uma das curiosidades é que a bandeira atual é inspirada na bandeira do Brasil Império


Uma das curiosidades é pensar que a nossa atual bandeira, criada logo após a Proclamação da República, seja uma adaptação da bandeira que simboliza justamente a monarquia.


Seria mais lógico supor que a República que então se iniciava não ia querer manter nenhuma marca do regime anterior. Mas, pelo menos no que diz respeito ao nosso principal símbolo, isso não é verdade.

Criada pelo famoso pintor francês Jean Baptiste Debret (1768-1848), fundador da Academia de Belas-Artes do Brasil, essa bandeira apresenta as bases da atual: o campo verde ao fundo e o losango amarelo. Foi instituída por D. Pedro I por decreto no dia 19 de setembro de 1822.

Como facilmente notamos ao comparar as duas bandeiras, as únicas novidades da bandeira atual são a proporção do losango e a substituição das Armas do Império pela esfera celeste republicana. Esta última alteração é a marca que distingue o novo regime do anterior.

A bandeira de São Paulo poderia ser a do Brasil? 

Sim, ela quase foi a Bandeira do Brasil! Em 1888, já na fase final do Império, críticos do regime monárquico criaram uma bandeira que, segundo eles, deveria ser o símbolo da futura República. Nessa bandeira, não vemos nem sinais da bandeira imperial, e a intenção era justamente essa. Quanto mais diferente, melhor.

O resultado foi uma bandeira com 13 listras pretas e brancas e, no canto superior esquerdo, o mapa do Brasil cercado por 4 estrelas.

O novo regime, como sabemos, adotou a bandeira inspirada na imperial. Essa bandeira preto e branca, usada em São Paulo nos primeiros anos da República, acabou se tornando a bandeira do estado, só oficializada por meio de decreto de 1946.

Umas das mais belas curiosidades: a esfera azul representa o céu da capital em 15 de novembro de 1889


Nossa bandeira é quase uma carta astronômica! E isso já deu muito o que falar, já que a representação das constelações, segundo alguns críticos, não seria exata.

 

“As constelações que figuram na Bandeira Nacional correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais), e devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste.”

 

Em 1925, o astrônomo Henrique Morize, um dos críticos da esfera celeste, diz que o Cruzeiro do Sul, além de deslocado, aparece em tamanho exagerado. Outro problema é que a estrela Espiga (a Alfa da Constelação de Virgem), que representa o estado do Pará, não deveria estar acima da faixa branca, mas exatamente embaixo dela, de modo que não poderíamos vê-la.

Mas como se trata de uma bandeira e não uma carta astronômica real, alguns detalhes podem ter sido ajustados aqui e ali, o que importa é que o resultado final ficou lindo e todos entenderam a mensagem, certo? 

Essa é fácil: cada estrela representa um estado brasileiro


Além da esfera celeste representar quase perfeitamente o céu da capital da República no dia da proclamação, cada estrela simboliza um estado da Federação. Assim, como temos atualmente 26 estados, mais o Distrito Federal, são 27 estrelas dentro da esfera azul, cada uma delas correspondendo a uma unidade da federação específica.

Curiosidades sobre o lema “Ordem e Progresso”


A inscrição na faixa branca é uma adaptação do lema positivista “O amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim”. “Ordem” pode ser lida como a ordem política e social, em contraposição ao caos, à falta de normas. E “Progresso” faz referência ao desenvolvimento técnico e científico. Essas deveriam ser as bases sobre as quais deveria ser construída a sociedade brasileira do futuro.

O positivismo foi uma corrente de pensamento em voga na segunda metade do século XIX e que exerceu influência importante no movimento republicano brasileiro. Resumidamente, o positivismo valorizava a ciência, o experimentalismo e a observação dos fenômenos sociais, rejeitando a religião e a metafísica como formas de se atingir um conhecimento verdadeiro sobre as coisas.

Quem criou a atual bandeira?


Ninguém tem dúvida sobre os autores do hino, um dos 4 símbolos nacionais: a música é de Francisco Manoel da Silva (1795-1865) e letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927). Mas e a bandeira? Quem decidiu manter a bandeira do antigo regime, preservando as cores, as formas, mas adicionando a esfera azul estrelada e o lema “Ordem e Progresso”?

Bem, foi Teixeira Mendes o idealizador da nova bandeira. Mas quem executou o projeto foi o artista plástico Décio Vilares (1851-1931), a partir da base já definida por Debret na bandeira imperial.

Curiosidades sobre as cores escolhidas para a bandeira


Aqui, a coisa também é meio confusa. Hoje se ensina nas escolas que as cores da bandeira fazem referência a alguns aspectos da natureza. O verde simboliza as matas. O amarelo, o ouro (e, consequentemente, as riquezas). O azul, claro, o céu. E isso não deixa de ser verdade, e do ponto de vista republicano, deve ser assim. Mas essa associação é recente.

A escolha das cores remonta ao tempo do Brasil Império. E quem bateu o martelo sobre as cores foi D. Pedro I. O verde porque faz referência à cor da Casa de Bragança, da qual ele descende. E o amarelo porque é a cor da Casa de Lorena, da imperatriz Leopoldina, esposa de D. Pedro.

Mas, como o império ficou para trás e junto com ele a antiga bandeira, não se preocupe! O verde são as matas, o amarelo o ouro, essa versão é a que tá valendo!

E para terminar, mas não menos importante, vale ressaltar que essa bandeira, tanto as formas quanto as cores, são únicas no mundo! E tenha certeza que, independente da onde for um estrangeiro, ele saberá, com toda certeza, de qual país é a nossa bandeira! Linda e inconfundível! 

 

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